Iorubás (Yoruba)

Os iorubás, iorubas, iorubanos ou nagôs (em iorubá: Yorùbá) constituem um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental, com mais de 30 milhões de pessoas em toda a região. Trata-se do segundo maior grupo étnico na Nigéria, correspondendo a aproximadamente 21% da sua população total.

Como uma descrição étnica, a palavra “Yoruba” foi registrada pela primeira vez, em referência ao Império de Oyo, em um tratado escrito por volta do século 16 pelo estudioso Songhai Ahmed Baba. Foi popularizada pelo uso Hausa e etnografia escrita em árabe e Ajami durante o século 19, originalmente referindo-se ao Oyo exclusivamente.

A prorrogação do prazo para todos os falantes de dialetos relacionados com a língua de Oyo (na terminologia moderna Noroeste Yoruba) data da segunda metade do século 19. É devido à influência de Samuel Ajayi Crowther, o primeiro bispo anglicano na Nigéria. Crowther foi ele próprio um Yoruba e compilou o primeiro dicionário Yoruba, bem como a introdução de um padrão para a ortografia Yoruba.

O nome alternativo Akú, aparentemente um exônimo derivado das primeiras palavras de saudações Yoruba (como Ẹ kú àárọ? “bom dia”, Ẹ kú alẹ? “boa noite”) tem sobrevivido em certas partes da sua diáspora como auto-descritivo, especialmente em Serra Leoa.

Nagôs ou Anagôs era a designação dada aos negros escravizados e vendidos na antiga Costa dos Escravos e que falavam o iorubá. Os iorubas, iorubanos ou iorubás são um povo do sudoeste da Nigéria, no Benim (antiga República do Daomé) e no Togo.

Historicamente, habitavam o reino de Ketu (atual Benin), na África Ocidental . Durante o século XVIII e até 1815, foram escravizados e trazidos em massa para o Brasil durante o chamado “Ciclo da Costa da Mina”, ou “Ciclo de Benin e Daomé”.

A nação nagô, ou a etnia yorubá, seria do âmbito das formações imaginárias – identidades ou tradições inventadas para dar conta de eventos culturais, políticos e econômicos – que neste caso, começou a tomar a configuração atual, entre os anos de 1890 e 1940 – uma identidade “criada em uma sociedade crioula da ‘Costa’, que estava em constante diálogo com as nações religiosas emergentes da diáspora afro-latina (Matory, op. cit.: 272)”. Como o candomblé e o xangô são referidos como de modelo nagô, em termos das matrizes míticas africanas (as nações), no Recife – talvez para que não reste dúvidas das diferenças entre o nagô baiano e o nagô pernambucano – o termo nagô é utilizado apenas para o xangô e para o modelo baiano a denominação utilizada é o candomblé-de-nação. ”

“ “Nagô”, nome pelo qual se tornaram conhecidos, no Brasil, os africanos provenientes da Iorubalândia. Segundo R. C. Abrahams, o nome nàgó designa os Iorubás de Ipó Kiyà, localidade na província de Abeokutá, entre os quais vivem, também, alguns representantes do povo popo, do antigo Daomé. O termo proviria do fon anago, usado outrora com o significado pejorativo de “piolhento”. Isso porque, segundo a tradição, os iorubás, quando chegaram à fronteira do antigo Daomé, fugindo de conflitos interétnicos, vinham famintos, esfarrapados e cheios de piolhos. Segundo W. Bascom, o nome nàgó ou nago se refere ao subgrupo iorubá Ifo-nyin. Na Jamaica, o nome nago designa o culto de origem iorubá. ”

Termos como “nagôs”, “jejes”, “angolas”, “congos” e “fulas” representavam identidades étnicas criadas pelo tráfico de escravos, onde cada termo continha um leque de tribos escravizadas de cada região. “Nagô” era o nome que se dava ao iorubano ou a todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o iorubá. Migeod assinala que “nagô” é nome dado, no antigo Daomé, pelos franceses ao yorubano: do efé anagó. Acredita-se que ‘nagô’ seja uma corruptela do efe anago, um termo que designa os povos de língua yoruba da costa da África Ocidental.

Os portugueses construíram, em 1498, o forte São Jorge da Mina, ou Feitoria da Mina, ou Mina, no Gana, um posto estratégico na rota dos europeus ao litoral da África Ocidental, onde os cativos eram mantidos à espera de transporte para o Novo Mundo.

O tratado de paz de 1657, assinado entre a rainha Nzinga Mbandi Ngola e a Coroa Portuguesa, com mediação do papa Alexandre VII, encerrou a guerra no Reino do Kongo e o tráfico escravista europeu na região.

No que se refere ao Brasil, o tráfico irá paulatinamente se deslocar em direção à chamada Costa da Mina, onde se localizava o Reino do Daomé e o reino de Ardra, vinculados ao império Oyo – Ioruba ou Nagô, segundo Verger, no final do século XVII e início do século XVIII. Entre os anos de 1681 a 1710 um grande número de embarcações carregadas de fumo foram para Costa da Mina e Angola.

O fumo (tabaco) da Bahia era rejeitado pelos europeus, que o achavam de má qualidade, e era destinado aos traficantes de escravos, sendo muito apreciado pelos africanos. Graças ao fumo, Salvador tornar-se-ia a capital mundial do tráfico de escravos.

Introduzidas no Brasil com a escravidão, as culturas africanas imprimiram, cada uma com suas peculiaridades e em diferentes graus, marcas profundas em quase toda a extensão da alma e do território brasileiro. E na Bahia essa presença – que se recria hoje em importantes instituições como as comunidades terreiro – é devida basicamente à cultura dos nagôs, que vinda da África Ocidental, foi entre o fim do século XVIII e o fim do século XIX, das últimas a serem escravizadas no Brasil.

Kètu, Egba, Egbado e Sabé são alguns dos segmentos nagôs que vieram para a Bahia provenientes da grande área yoruba que compreende sul e centro da atual República de Benim, ex-Daomé; parte da República do Togo: e todo sudoeste da Nigéria. E todos eles – com destaque para os Kètu – contribuíram decisivamente para e implantação da cultura nagô naquele Estado, reconstituindo suas instituições e procurando adaptá-las ao novo meio, com o máximo de fidelidade aos padrões básicos de origem, fidelidade essa em parte facilitada pelo intenso comércio que se desenvolveu entre a Bahia e a costa ocidental da África durante todo o século XIX até os primeiros anos que se seguirem à Abolição.

Para entender o predomínio da etnia yorubá-nagô na Bahia é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes.

Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico Candomblés da Bahia: “Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor à massa escrava a sua religião”. E complementa: “Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos (rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca”. A própria Mãe Aninha Obá Biyi era filha de um casal de africanos da etnia grunci, os negros Aniyó e Azambiyó, mas fora iniciada no candomblé pelos nagôs da Casa Branca do Engenho Velho. A presença de Xangô, seu orixá, solidificou ainda mais as tradições yorubas em sua trajetória.

A partir do século 7 a.C. os povos africanos que viviam em Yorubaland, não foram inicialmente conhecidos como yoruba, embora eles compartilhassem um grupo de etnia e língua comum. O desenvolvimento yoruba histórico in situ , fora de anteriores populações Mesolíticas Volta-Níger, por volta do 1º milênio aC.

A história oral registrada sob o Império de Oyo deriva o yoruba como um grupo étnico da população do reino mais antigo do Ile-Ifé. Arqueologicamente, o povoado de Ife pode ser datado do quarto século antes de Cristo, com estruturas urbanas aparecendo no século 12 (a fase urbana de Ife antes da ascensão de Oyo, c. 1100-1600, um pico significativo de centralização política no século 12) é comumente descrita como uma “idade de ouro” de Ife. O oba ou governante de Ife é referido como o Ooni de Ife.

Oyo e Ile-Ife

O assentamento em Ife parece ter entrado nesta “idade de ouro”, com o aparecimento de estruturas urbanas pelo século 12. Este parece ser o período de formação do povo yoruba como refletido na tradição oral e devido a isso, Ife continua a ser vista como a “pátria espiritual” do yoruba. A cidade foi superada pelo Império de Oyo com o dominante poder militar e político yoruba, no século 17.

O Império Oyo e seu Oba, conhecido como o Alaafin de Oyo, era ativo no comércio de escravos Africanos durante o século 18. O Yoruba muitas vezes exigiu escravos como uma forma de homenagem das populações objeto, que por sua vez, às vezes faziam guerras contra outros povos para capturar os escravos necessários. Parte dos escravos vendidos pelo Império de Oyo entrou no tráfico Atlântico de escravos.

A maioria das cidades-estados foram controladas por Obas (ou soberanos reais com vários títulos individuais) e os conselhos compostos de Oloyes, reconhecidos líderes reais, nobre e, muitas vezes, até mesmo de origem comum, que se juntaram a eles em governar sobre os reinos através de uma série de alianças e cultos. Diferentes estados viram relações diferentes de poder entre os reinos e os conselhos dos chefes. Alguns, como Oyo, teve poderosos monarcas autocráticos com o controle quase total, enquanto que em outros, como as cidades-estado de Ijebu, o conselho do senado teve mais influência do poder de governao Balde, referido como o Awujale de Ijebuland, foi mais limitado.

Assentamentos yoruba são freqüentemente descritos como principalmente um ou mais dos principais grupos sociais chamados de “gerações”: [carece de fontes]

A “primeira geração” inclui as cidades conhecidas como capitais originais do fundador do reino yoruba ou estados.
A “segunda geração” consiste em assentamentos criados pela conquista.
A “terceira geração” consiste em aldeias e municípios que surgiram após as guerras mortíferas do século 19.
A maioria dos iorubás falam a língua iorubá (iorubá: èdèe Yorùbá ou èdè). Vivem em grande parte no sudoeste da Nigéria; também há comunidades de iorubás significativas no Benim, Togo, Serra Leoa, Cuba, Republica Dominicana e Brasil. Os iorubás são o principal grupo étnico nos estados de Ekiti, Kwara, Lagos, Ogun, Ongo, Osun, e Oyo. Um número considerável de iorubás vive na República do Benim, ainda podendo ser encontradas pequenas comunidades no campo, em Togo, Serra Leoa, Brasil, Republica Dominicana e Cuba.

Compartilham fronteiras com os Borgu (variadamente chamados Bariba e Borgawa) no noroeste, os Nupe (que eles chamam muitas vezes, “Tapa”) e os Ebira no norte, os Edo, que também são conhecidos como Bini ou povo benim (não relacionado com o povo da República do Benim), e os Ẹsan e Afemai para o sudeste. Os Igala e outros grupos relacionados encontram-se no nordeste, e os Egun, Fon e outros povos de língua Gbe no sudoeste. Embora a maioria dos iorubás viva no sudoeste da Nigéria, há também importantes comunidades iorubás indígenas na República do Benim, Gana e Togo.

A maioria dos iorubás é cristã, e os ramos locais das igrejas Anglicana, Católica, Pentecostal, Metodista, e nativas de que são adeptos. O islamismo inclui aproximadamente um quarto da população iorubá, com a tradicional religião iorubá respondendo pelo resto. Os iorubas têm uma história urbana que data do ano 500. As principais cidades iorubás são Lagos, Ibadan, Abeokuta, Akure, Ilorin, Ogbomoso, Ondo (cidade), Ota, Shagamu, Iseyin, Osogbo, Ilesha, Oyo e Ilé-Ifè.

Os iorubás deixaram uma presença importante no Brasil, e particularmente muito significativa no estado brasileiro da Bahia:

“ “Os nagôs (iorubás) são, ainda hoje, os africanos mais numerosos e influentes nesse estado (Bahia). Existiam aqui quase todas as pequenas nações iorubanas. Os mais numerosos são os de Oyó, capital do reino de Iorubá, que, naturalmente, foram exportados ao tempo em que os hauçás invadiram o reino, destruíram sua capital e tomaram Ilorin. Depois, em ordem decrescente de número, vêm os de Ijêsá, de que sobretudo há muitas mulheres. Depois os de Egbá, principalmente da sua capital Abeokutá. Em menor número, são os de Lagos, Ketú, Ibadan. Em geral, os nagôs do centro da Costa dos Escravos, os de Oyó, Ilorin, Ijêsá etc., são quase todos, na Bahia, muçulmis, malês ou muçulmanos, e a seus compatriotas se deve atribuir a grande revolta de 1835. Durante o último período da escravatura, os iorubás foram concentrados nas zonas urbanas, então em pleno apogeu; nas regiões suburbanas ricas e desenvolvidas do Norte e Nordeste, particularmente em Salvador e no Recife. Ligados pela origem mítica comum, pela prática religiosa e semelhança dos costumes, rapidamente os diversos grupos nagôs passaram a inter-relacionar-se. Não perderam contato com a África, dada a intensa atividade comercial entre a Bahia e a Costa Africana”.